quinta-feira, 15 de março de 2012

Agricultura: se somos tão ricos, por que estamos tão pobres?

Neste nosso privilegiado Brasil, temos enormes potencialidades produtivas, tanto na agricultura como na pecuária; se soubéssemos explorá-las racionalmente, elas nos permitiriam gerar as riquezas que tanto necessitamos para reduzir a pobreza rural e também para solucionar vários dos nossos grandes problemas nacionais. A nossa agropecuária tem vocação para ser a mais poderosa "locomotiva" do desenvolvimento nacional.

Em primeiro lugar, temos vastas extensões de terras de boa qualidade, abundância de água, clima favorável que nos permite obter várias colheitas ao ano, produzir na contra-estação dos países ricos e criar gado exclusivamente a pasto, um enorme mercado consumidor e uma abundante mão-de-obra necessitada e desejosa de progredir com o fruto do seu trabalho.

Em segundo lugar, já dispomos dos conhecimentos (tecnologias e experiências bem-sucedidas) que são necessários para fazer uma muito eficiente produção, transformação e comercialização de produtos agropecuários. Infelizmente tais conhecimentos estão sendo adotados apenas por uma minoria de produtores rurais mais eficientes. Tal exclusão é solucionável porque muitas das mencionadas tecnologias e experiências são de baixo custo e fácil adoção; e graças a essas características, poderiam e deveriam estar beneficiando todos os produtores rurais do país. Infelizmente, isto não ocorre porque esses conhecimentos permanecem ociosos nas estações de pesquisa agropecuária, nas universidades, nas cooperativas, nos sites da Internet e nas propriedades dos agricultores mais eficientes. Enquanto essas valiosas tecnologias permanecem subutilizadas, a grande maioria dos produtores rurais tem graves problemas econômicos exatamente porque não às conhece ou não sabe aplicá-las de maneira correta. Isto acontece porque falta "construir" uma ponte que conecte os que sabem e sabem fazer com os que necessitam, urgentemente, aprender a saber e a saber fazer.

Em terceiro lugar, dispomos de métodos e meios de comunicação, eficazes e de baixíssimo custo (emissoras de rádio e televisão, e-mail, sites na Internet, etc.), através dos quais poderíamos e deveríamos difundir tais conhecimentos, rápida e massivamente, em benefício de todas as famílias rurais. Em resumo, temos à nossa disposição quase todos os requisitos necessários para fazer uma agricultura que, ao ser muito mais eficiente e mais produtiva, poderia gerar as riquezas que tanto necessitamos.

E se é assim, por que não o fazemos? Pelo elementar motivo de que a maioria dos nossos agricultores não possui as competências necessárias para corrigir as suas próprias ineficiências produtivas, gerenciais e comerciais, pois lhes faltam conhecimentos, habilidades, atitudes e até valores orientados ao empreendedorismo e ao autodesenvolvimento. E é principalmente por esta razão que muitos deles são tão dependentes do paternalismo estatal.

E por que os habitantes rurais não possuem as referidas competências? Basicamente pelos seguintes quatro motivos:

Primeiro: porque os conhecimentos que os seus pais lhes transmitiram já estão desatualizados e são insuficientes para que eles possam sobreviver economicamente na agricultura moderna e globalizada.

Segundo: porque as escolas fundamentais rurais (da primeira à oitava série) que, para a maioria dos habitantes do campo, são a única oportunidade de aprender algo útil para a vida e o trabalho no campo, ensinam às crianças muitos conteúdos irrelevantes; que em pouco ou nada contribuem a que eles se tornem produtores, administradores das suas propriedades e comercializadores das suas colheitas, mais eficientes e empreendedores. Existe um impressionante desencontro entre o que essas escolas fundamentais rurais estão ensinando e aquilo que os educandos realmente necessitam aprender. Grande parte dos seus conteúdos curriculares não tem nenhuma aplicação na solução dos problemas cotidianos que os educandos enfrentam – e continuarão enfrentando – nas suas vidas pessoais, familiares, produtivas e comunitárias.

Terceiro: porque os serviços estatais de extensão rural – que poderiam e deveriam compensar algumas das debilidades educativas até aqui analisadas – estão contaminados pelas interferências político-partidárias, burocratizados e excessivamente centralizados. Com tais restrições, os extensionistas, mesmo contra a sua vontade, dedicam mais tempo a tramitar propostas de crédito rural e a burocratizar nos escritórios que à sua função primordial que é a de capacitar os agricultores nas propriedades e comunidades rurais. As poucas vezes que conseguem ir ao campo, depois de enfrentar uma longa peregrinação burocrática para obter o veículo, o combustível e as diárias, muitos dos extensionistas não estão em condições técnicas de corrigir os erros que os agricultores cometem e de solucionar os problemas que os afetam; essas debilidades técnicas dos agentes de extensão rural ocorrem devido ao motivo descrito a seguir.

Quarto: porque, com poucas exceções de louváveis iniciativas inovadoras, as faculdades de ciências agrárias estão excessivamente "urbanizadas" e desconectadas da realidade concreta dos produtores rurais e dos potenciais empregadores dos seus egressos. Devido ao nosso rápido processo de urbanização, a maioria dos professores já é de origem urbana e não tem um adequado conhecimento vivencial dos problemas agrícolas e rurais. Além de não possuir tal vivência, as faculdades nem sequer consultam os empregadores e os produtores rurais para saber qual é o perfil profissional que o atual mercado de trabalho está necessitando. O ensino teórico realizado nas salas de aula e nos laboratórios raramente é complementado e validado com atividades práticas executadas nas propriedades, nas comunidades rurais, nas agroindústrias e nos mercados agrícolas. As esporádicas visitas ao campo geralmente ocorrem no último semestre do curso, quando o dano na formação dos estudantes já é irreversível. As faculdades estimulam os seus docentes a pesquisar e publicar artigos nas revistas científicas internacionais e os premiam por esses "papers" para efeito de salários, promoções e enquadramentos; pouco importando quantas pessoas se beneficiam com os resultados de tais pesquisas e qual é a contribuição real e efetiva que tais investigações oferecem à solução dos problemas concretos e cotidianos da grande maioria dos produtores rurais. Esquecem-se que são os agricultores e empregadores, e não os professores, a principal razão de ser da existência das faculdades. Enquanto isso ocorre, as atividades de extensão universitária, que permitiriam aproximar as faculdades ao conhecimento da realidade agrícola e rural, não recebem apoio nem são consideradas para efeito de promoções e enquadramentos dos docentes que as executam ou que desejariam executá-las.

Com uma formação tão teórica e divorciada das necessidades dos agricultores e dos empregadores, não é de surpreender que o mercado de trabalho esteja rechaçando os profissionais que delas provêm. As faculdades continuam formando profissionais para o desemprego e este existe não necessariamente porque a demanda é insuficiente e sim porque a oferta das faculdades é inadequada às reais necessidades dos demandantes do mundo moderno. Apesar de que na prédica preconizam o desenvolvimento rural com eqüidade e sem exclusões, as escolas superiores de agricultura priorizam e enfatizam o ensino de tecnologias sofisticadas e de alto custo, que beneficiam uns 5 ou 10% dos agricultores e pecuaristas de ponta; com tal elitização subestimam e desprezam as necessidades concretas de 90 ou 95% dos produtores rurais que requerem, em caráter prioritário, tecnologias menos sofisticadas e de baixo custo, a fim de que sejam compatíveis com os escassos recursos de que eles dispõem. Durante a sua passagem pela universidade, os estudantes têm poucas oportunidades de desenvolver a sua "engenhosidade" na criação de soluções mais pragmáticas e adequadas às adversas condições físico-produtivas e à escassez de recursos financeiros que caracterizam os agricultores mais pobres; os estudantes também têm poucas oportunidades de executar, com as suas próprias mãos, as atividades mais elementares e freqüentes que os produtores rurais realizam na sua vida cotidiana.

Nessas condições, como os futuros profissionais poderão ensinar aos agricultores a regular uma semeadeira, podar, enxertar, ordenhar uma vaca ou transformar "commodities" em produtos processados se, durante o seu período de estudos universitários, os estudantes nunca regularam uma semeadeira, podaram, enxertaram, ordenharam e processaram/transformaram commodities? Com tantas debilidades na formação dos egressos, como esperar que os serviços de extensão rural sejam eficientes e promovam as urgentes mudanças que necessitam os agricultores e a agricultura?

segunda-feira, 12 de março de 2012

Exportação de jumentos pode virar realidade

Foto em: www.avozdesantaquiteria.com.br
Os chineses pretendem importar 300 mil jumentos por ano do Nordeste, onde o animal é encontrado em abundância. Há cerca de um mês foi liberado o intercâmbio. Além de movimentar a economia local, a iniciativa ainda vai resolver o problema de excesso de oferta de jegues na região. Com as facilidades de financiamento, houve um crescimento muito grande do uso de motos para o transporte local e os jegues estão perdendo espaço para a concorrência.

Em junho de 2011, um grupo de empresários chineses percorreu o Nordeste, desde a Bahia até o Rio Grande do Norte, conversando com fazendeiros e políticos. Aos políticos locais, o grupo propôs um programa de garantia de compra dos burros a preços de mercado, envolvendo até linhas de crédito, por meio de um sistema batizado de Projegue. Mas o projeto ainda não deslanchou.A China abate 1,5 milhão de burros ao ano, produzidos no país, na Índia e na Zâmbia. O processo envolve tecnologia de ponta, com melhoria genética, cuidados na produção de alimentos específicos e assistência técnica. O engenheiro elétrico. Ailton Candeia de Lima, Assessor do governo municipal quando tomou conhecimento deste acordo enviou o seguinte comentário ao blog:
“Fiquei profundamente feliz com esta notícia, pois o jegue foi solução para o Nordeste por várias décadas, quer seja na agricultura para utilização de cultivadores, nas obras do DNOCS para construção de açudes e barragens, no auxílio ao sertanejo para transporte de mercadorias e águas. Mas hoje com o advento dos carros e principalmente de motos, o nosso irmão jegue, como sabiamente Pe. Vieira o chamava, passou a ser um problema, pois vivem perambulando nas estradas e até de cidades do Nordeste. Assim eu vejo com bons olhos este intercambio comercial Brasil e China, pois:
1. Amenizaremos os acidentes com veículos e motos nas estradas Nordestinas, diminuindo mortes e prejuízos para o SUS;
2. As Prefeituras terão uma maneira prática e racional na soltura dos animais apreendidos, que é um grande problema cotidiano;
3. E é mais uma maneira de injeção de recursos na economia nos Estados Nordestinos, até porque se fala no PROJEGUE, uma espécie de financiamento para criação de JEGUES.


informações: Blog Geraldo José

terça-feira, 6 de março de 2012

Assistec oferta de assistência a produtores de Curaçá

Os profissionais da Assistec fizeram, no último domingo, 4, uma visita técnica à Fazenda Bom Socorro, povoado de São Bento, com o intuito de ofertar uma orientação tecnológica gratuita a produtores rurais.

“Todo mês sorteamos, pela Rádio Curaçá FM, esse benefício a um produtor rural de Curaçá e depois fazemos a visita”, revela Estéfano Mota, coproprietário da Assistec. A iniciativa tem foco na assistência técnica e se pretende, com isso, desenvolver a responsabilidade social da Empresa ante seu principal público, o produtor rural. “Observando esse bom momento que o Município passa, diante dos investimentos públicos e privados na cadeia produtiva da carne e leite de caprinos, essa iniciativa da Assistec é mais uma forma de contribuir para esse desenvolvimento local”, complementa Estéfano.

Naelson Brandão, da Fazenda Bom Socorro resumiu sobre o trabalho feito em sua Fazenda: “Os técnicos bateram um papo com a gente sobre como podemos fazer para melhorar a estrutura de nossa propriedade. Depois teve o momento prático: foi feito o casqueamento de um reprodutor e eles examinaram algumas matrizes”. O casqueamento é uma prática de se retirar excessos nas unhas dos caprinos com o objetivo de facilitar a locomoção tanto de machos reprodutores quanto de fêmeas (matrizes). “Um animal que não se locomove bem tem problemas na busca de alimentos, logo não adquire peso e diminui a produção de leite. Além disso, essa prática ajuda na reprodução, pois os reprodutores com problemas de casco tem dificuldades no momento da monta”.

Esse trabalho, conforme Estéfano, irá continuar por tempo indeterminado, mesmo porque, segundo ele, o aproveitamento está superando as expectativas, pois os produtores tem elogiado o trabalho e tem tirado muitas dúvidas como foi o caso do Sr. Naelson. “Foi um trabalho importante porque adquirimos novos conhecimentos. E também é uma oportunidade para a gente que não tem condições de pagar uma assistência técnica”, avaliou Naelson Brandão. 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Coopercuc é destaque em evento do MDA


Café, cacau e cachaça. Esses e outros produtos brasileiros que agradam o paladar e conquistam o mercado internacional estarão na Biofach Nuremberg, na Alemanha. São produtos de nove empreendimentos da agricultura familiar que participam, entre 15 e 18 de fevereiro, da maior feira de orgânicos do mundo, com mais de 2,6 mil expositores, distribuídos em nove pavilhões, e que recebem 45 mil visitantes de 130 países.

Os participantes brasileiros integram o espaço coletivo do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) em parceria com o Instituto de Promoção do Desenvolvimento (IPD), em uma área com 112 metros quadrados. No estande Projeto Organics Brazil/IPD/MDA, haverá exposição de produtos orgânicos das diversas regiões do Brasil, entre amostras de café, cacau, açúcar mascavo, sucos, derivados do umbu e derivados de fruto do palmito juçara, além de frutas e cachaça. Os visitantes também poderão degustar doces e geleias de umbu e bebidas - café, cachaças e sucos.

"Pela nona vez (desde 2003), estamos levando para a Biofach empreendimentos que vão fechar negócios. As palavras Brasil, agricultura familiar e orgânicos passam a estar cada vez mais associadas e com uma oferta de produtos diferenciados, que leva sociobiodiversidade, produtos regionais, produtos típicos do nosso país. É uma conquista de espaço no mercado internacional, e essa presença continuada mostra que existe capacidade de oferta e que há empreendimentos da agricultura familiar capazes de ocupar esses espaços e essas oportunidades lá fora", avalia o diretor do Departamento de Geração de Renda e Agregação de Valor da Secretaria da Agricultura Familiar do MDA, Arnoldo de Campos.

Para a agricultura familiar, essa participação no evento representa mais mercado, mais renda e mais valor para a produção, segundo Campos: "O mercado de orgânicos e de produtos sustentáveis cresce, e nós queremos capturar esse crescimento para a agricultura familiar. Os empreendimentos que são apoiados pelo MDA, por meio do projeto do IPD, estão com oportunidade de gerar negócios onde muitas vezes não imaginavam que poderiam chegar".

Os empreendimentos selecionados a partir de Chamada Pública são: Associação Brasileira da Agricultura Familiar Orgânica, Agroecológica e Agroextrativista (Abrabio), de São Paulo; Cooperativa de Produtores Orgânicos e Biodinâmicos da Chapada Diamantina (Cooperbio) e da Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (Coopercuc), da Bahia; da Cooperativa de Produtos Orgânicos da Amazônia (Copoam), do Pará; da Cooperativa Agropecuária de Produtos Orgânicos da Terra (Cooper Terra), do Paraná; da Cooperativa dos Agropecuaristas Solidários de Itápolis (Coagrosol), de São Paulo; da Cooperativa Regional das Agroindústrias Familiares Ecológicas do Vale do Rio Uruguai (Cooperafe) e da Cooperativa dos Citricultores Ecológicos do Vale do Cai (Ecocitrus), do Rio Grande do Sul, e da Ciano Indústria de Alimentos Ltda (Ciano), do Rio de Janeiro.

Juntas, as oito cooperativas e a associação representam mais de 12,4 mil  famílias e produzem mais de 30 produtos. A Abrabio, com 52 associados de 18 estados brasileiros, terá amostras de produtos diversos de seus associados, todos com certificação orgânica.

Informações no Blog Geraldo José em 11/2/2012

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

ADAB estabelece metas para a Defesa Agropecuária em 2012

Com o objetivo de garantir a segurança sanitária necessária para o desenvolvimento sustentável da produção e comercialização da agropecuária baiana, a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), órgão vinculado à Secretaria da Agricultura, estabeleceu as metas para 2012. Entre elas destacam-se a extinção da Zona de Proteção, o incremento das ações de educação sanitária, vigilância epidemiológica, controle, inspeção e fiscalização do trânsito de animais e vegetais em todo o Estado.

Eduardo Salles
As diretrizes foram apresentadas durante encontro que reuniu todos os órgãos integrantes da Secretaria da Agricultura. “Temos que eleger as prioridades, estabelecendo metas, procedimentos para avaliação e acompanhamento das atividades. Dessa maneira conseguiremos executar as tarefas de forma eficiente, reafirmando o nosso compromisso com a população e com o governo do Estado”, destaca o secretário estadual da Agricultura, engenheiro agrônomo Eduardo Salles.

No que se refere à defesa agropecuária, a educação sanitária ganhou destaque. A expectativa da Adab é sensibilizar 43 mil pessoas este ano. “É importante conscientizar consumidores, produtores, transportadores e comerciantes quanto a questões de segurança sanitária vegetal e animal, minimizando os perigos inerentes ao consumo de produtos que não atendam à legislação vigente”, esclareceu Torres. A capacitação de 800 servidores também está entre as metas da Adab em 2012, visando à qualificação técnica para a prestação dos serviços de inspeção de produtos de origem animal, além da defesa sanitária animal e vegetal.

publicado no Blog Geraldo José em 8/2/2012

Técnico defende água potável para animais domésticos

Estéfano Mota
Ao contrário do que muitas pessoas pensam, os animais domésticos devem beber água potável, ou seja, aquela tratada como acontece nas cidades para abastecimento da população humana. Vários técnicos, inclusive em Curaçá, tem incentivado a mudança de comportamento dos produtores rurais no sentido de reidratarem seus criatórios (galinhas, caprinos, ovinos) com água boa para o consumo. É o caso do zootecnista Estéfano Mota, co-proprietário da Assistec em Curaçá. "A água destinada aos animais, na maioria das propriedades rurais, não apresenta muitos cuidados no que diz respeito a obtenção e manutenção, comprometendo sua qualidade. Isto pode ser a causa de várias enfermidades que acometem os animais com quadro clínico leve ou em certas ocasiões, graves levando a prejuízos e/ou perda total (morte). Uma das principais enfermidades é a mastite e diminuição na produção do leite", resume o técnico.


A realidade das criações na maior parte de Curaçá ainda é de fazer os animais beberem água sem tratamento, de cacimbas e barreiros onde, bebendo diretamente, os animais defecam e urinam na água, a qual também é visitada por diversos outros animais como urubus, répteis etc. O certo é que pode existir ali uma grande quantidade de coliformes fecais e outros agentes causadores de contaminação e doenças.  

Parceria entre STR e Ótica já traz resultados

O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Curaçá-Ba comemora ainda preliminar mas robusto de 100 associados(a) que foram atendidos pela Ótica Brasil, hoje (Ótica Carol ) no ano de 2011. A parceria visa a prestação de serviços aos associados em dias com sua obrigações Estatutárias. Descontos nas consultas e na aquisição de óculos, com parcelamentos. Esses números serão apresentados no Relatório em Assembleia Geral no próximo dia 26 de Fevereiro.


Informações de Sivaldo Manoel, Secretário do STR

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Rede Brasil Rural Nordeste será lançada na Bahia no dia 7 de fevereiro

A Bahia sediará, no dia 7 de fevereiro de 2012, o lançamento da Rede Brasil Rural, ferramenta virtual criada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) para fortalecer a agricultura familiar aproximando produtores, indústrias, agentes de logística e setor público. O estado foi escolhido para sediar o lançamento regional do Nordeste por ter o maior número de agricultores familiares do país - são mais de 665 mil estabelecimentos.

O lançamento acontece no auditório da Secretaria de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária da Bahia (Seagri), às 14h30, com a presença do ministro Afonso Florence e do governador da Bahia, Jaques Wagner. Além do ato de lançamento, dirigentes e representantes de cooperativas de agricultores da Bahia aprenderão, num curso de capacitação ministrado pelo MDA nos dias 6 (à tarde) e 7 (pela manhã), como operar suas compras e vendas usando a Rede Brasil Rural. Após o término da oficina, será realizado o ato público que marcará o lançamento oficial da RBR no Nordeste.

Por meio do portal www.redebrasilrural.mda.gov.br, lançado em Porto Alegre, em 13 de dezembro de 2011, agricultores familiares de todo o Brasil, representados por suas associações e cooperativas, negociam diretamente com fornecedores e empresas de transporte a compra e a entrega de insumos necessários para qualificar ainda mais a sua produção. A pesquisa eficiente e as compras coletivas garantem melhor preço de insumos e matérias-primas, além de permitir à agricultura familiar reduzir os custos dos produtos, de transporte e de estocagem.

Depois de explicar o funcionamento da Rede Brasil Rural, os instrutores do MDA responsáveis pelas oficinas de capacitação também começarão a fazer o cadastramento das cooperativas e associações de agricultores familiares da Bahia e de outras regiões do Nordeste na RBR. Inicialmente, o MDA realizará as oficinas em dez estados (Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Ceará, Pernambuco, Pará e Espírito Santo) escolhidos por apresentarem maior número de Declarações de Aptidão ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar(DAP).

Criada pela Secretaria de Agricultura Familiar (SAF) do MDA, a DAP é utilizada como instrumento de identificação do agricultor familiar para acessar políticas públicas, como o Pronaf. Para obtê-la, o agricultor familiar deve dirigir-se a um órgão ou entidade credenciado pelo MDA, munido de CPF e de dados acerca de seu estabelecimento de produção (área, número de pessoas residentes, composição da força de trabalho e da renda, endereço completo). A capacitação prosseguirá durante o mês de fevereiro.

Produção

A produção da agricultura familiar na Bahia é bastante diversificada. Segundo informa o delegado federal titular da Delegacia Federal do Desenvolvimento Agrário na Bahia (DFDA-BA/MDA), Welliton Rezende Hassegawa, no semiárido --- onde se encontra mais da metade dos municípios baianos --- destacam-se os empreendimentos da agroindústria familiar que beneficiam produtos como o mel, leite (em especial o beneficiamento para a produção do leite em pó), doces derivados de frutas nativas (em particular frutas da caatinga como umbu, goiaba, maracujá do mato, caju), castanha de caju, derivados da mandioca (desde a fécula ou goma, até produtos como beiju e biscoitos), derivados da cana-de-açúcar (em especial a cachaça e rapadura).

"Também são encontradas cooperativas que beneficiam o cacau (chocolate, chocolate em pó, doces), carne de cabrito e cordeiro, artesanato de fibras naturais como o sisal, palhas de bananeiras, cipó e outras matérias-primas", acrescenta Welliton.

Ao todo, estima-se que existam mais de 200 cooperativas de produção na Bahia, inclusive contemplando as cooperativas organizadas exclusivamente por mulheres. Destas, mais de 70 são filiadas à União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes), e outras dez são filiadas à Unisol Brasil. "Atualmente, cerca de um terço destas possuem DAP Jurídica. Apesar dos avanços nesta última década na organização destas cooperativas, ainda há muito para se desenvolver nesse segmento no Estado", avalia o delegado.

Otimismo entre as cooperativas

O lançamento da Rede Brasil Rural no Nordeste enche de esperança as cooperativas que pensam em baratear seus custos, aumentar a produção e até contratar mais trabalhadores. É o caso da Coopercuc, localizada em Uauá (BA), e que ainda agrega cooperados dos municípios baianos de Curaçá e Canudos; e da Cooperunica, na Paraíba, que reúne os 12 grupos do Talentos do Brasil, entre os quais as mulheres bordadeiras do coletivo Dois Pontos, no município de Alagoa Nova.

A Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (Coopercuc), criada em 2004, trabalha com o fruto do umbuzeiro, árvore que domina a paisagem do único bioma exclusivamente brasileiro e mais expressivo da região Nordeste, a Caatinga, no semiárido da Bahia. O umbu --- do tupi-guarani árvore que dá de beber--- é responsável pela sustentabilidade e fonte de renda para mais de 180 cooperados e 400 famílias dos três municípios baianos.

É a partir dos derivados do umbu que a cooperativa produz geleias e compotas, além de doces de goiaba, manga e maracujá da Caatinga, produzidas em 18 mini fábricas instaladas em comunidades rurais dos municípios de Canudos, Uauá e Curaçá, no Território da Cidadania Sertão do São Francisco, e centralizada na sede da Cooperativa, em Uauá. Tudo com a marca da produção orgânica e da preservação do bioma.

"Para nós, esse portal caiu do céu; há muito tempo nós sonhávamos com algo parecido, mas que era impossível de se fazer sozinho. Quando a cooperativa surgiu, a ideia era produzir para o sustento das famílias. Depois vieram os pedidos de vizinhos que queriam enviar os doces para os parentes que moravam longe e, assim, fomos crescendo. Agora, graças ao MDA, vamos dar passos maiores, aumentando a nossa produção e as nossas vendas", comemora o presidente da Coopercuc, Adilson Ribeiro dos Santos.

Publicado em 1/2/2012 in: http://www.agrosoft.org.br